10 lições que gostaria que meus filhos aprendessem sem sofrer

Ainda não tive nenhum filho menino, mas tive o privilégio e honra de ser pai de uma princesa maravilhosa. E, apesar de ainda planejar estar presente por muitos anos de sua vida, pensei em já escrever algumas lições que são importantes e que, se possível, gostaria que ela aprendesse sem ter que sofrer, como seu pai sofreu.

Embora essas lições pareçam óbvias, tive que aprende-las à duras penas, tendo que ‘repetir’ o teste várias vezes até compreender a real lição a ser aprendida. A maioria dessas lições poderiam ter sido passadas pelo meu próprio pai, mas por ele ter falecido quando eu tinha dezoito anos, a maior parte da minha vida adulta se passou sem sua estimada companhia e conselhos sábios.

  1. Amor

    Amor não é um pote de ouro do outro lado do arco-íris

    Essa lição eu só pude aprender, em seu significado mais profundo, depois que fui pai, então a importância dessa lição é mais do que crítica para uma criança, adolescente e jovem adulto que está desbravando o mundo dos hormônios, jogos de ciúmes, bullying, e até abuso.

    Para alguém saber amar outrem, ela precisa primeiro aprender à amar a si mesma (óbvio, mas difícil). Isso significa que todos tem, em um momento ou outro de sua vida, que aprender a questionar seus velhos costumes, hábitos, e ideologias e reconstruir sua fundação. Em outras palavras, TODOS nesta vida passam por traumas, que vem de inúmeras formas, e acontecer por meio daqueles que mais amamos. Muitas vezes esses traumas vem mascarados como ‘normais’, vindo de nosso pais, irmãos, ou pessoas de nosso convívio próximo. O fato de acharmos serem normais não as tornam verdadeiramente normais. Podem até ser comuns (em várias famílias e situações) mas não é normal. Por exemplo: Pais que trabalham demais e não dão atenção suficiente à seus filhos e se justificam “pois estão dando tudo que seus filhos precisam” acabam por criar sentimentos de rejeição, solidão, abandono, e vários outros, que, se não forem tratados, podem se perpetuar até a idade adulta e, pior, por várias gerações.

    Portanto, amor é primeiramente um trabalho interno, que exige esforço, humildade e questionamento de valores. E, mesmo depois de tornar-se um indivíduo maduro (de acordo com sua idade fisiológica), o amor deve ser trabalhado, projetado aos outros, de forma saudável, altruísta e livre. Somente relacionamentos maduros perduram. Aprenda a se amar!

  2. Sexo

    O ato sexual é uma forma de demostração de amor, não um brinquedo

    A sociedade atual prega a liberalidade sexual, o sensualismo, como direitos e não responsabilidades. Claro, sexo é bom, não há dúvidas. Mas o ato sexual é diferente para nós homo sapiens sapiens do que para outros animais. Por termos (em maioria) capacidade cognitiva mais avançada do que a maioria dos outros seres deste planeta, nossa capacidade de associação, prazer, fantasia, ou seu opostos – dissociação, dor e desilusão, acompanham o orgasmo. Fisiologicamente, o orgasmo libera vários químicos que causam satisfação. Mas as consequências psicológicas são muito mais duradouras do que o efêmero prazer advindo do extase orgásmico.

    E, por mais que se discuta e argumente contra, o ato sexual é mais viciante do que qualquer droga, pois é um prazer extremo produzido pelo próprio corpo, mas que necessita de estímulos externos. Uma vez experimentado, o auto-controle para se conter em situações posteriores é muito grande, e difícil de ser exercido.

    Portanto, mesmo que seja difícil, sexo deve ser considerado um presente mútuo àquele(a) que se ama, e não um passatempo. Há outras consequências psicológicas que discuto neste artigo, tópico não se envolva sexualmente.

  3. Trabalho e Carreira

    Trabalhe duro enquanto tem seus pais lhe dando suporte, pois depois você estará sozinho(a)

    Ter uma educação universitária não é tudo, já concedo esse argumento. Uma educação secular pode ser considerada como tudo mais na vida – se tiver uso, se for cultivada e valorizada, então vai trazer resultado. Isso dito, as oportunidades que estudar trazem são infinitas. Viajar para outro país, aprender outro idioma, estar se reciclando e aprendendo coisas novas ajuda, não só no conhecimento propriamente dito, mas na capacidade que o indivíduo tem de se enxergar em perspectiva ao resto do mundo.

    Portanto, para conseguir tempo para hobbies, depois de adulto, depende muito do sucesso obtido na carreira. Se tiver que estar sempre trabalhando para pagar as contas, então não terá tempo para hobbies. Por isso, aproveite sua infância e adolescencia para aprender todos os hobbies e habilidades que puder, para quando adulto trabalhar e ter tempo para se divertir de forma balanceada.

    Se divertir é bom, mas não deve ser uma meta de vida, e sim um auxílio para a felicidade.

  4. Caráter Humano nem sempre é bom

    Nem todo cordeiro tem coração de cordeiro

    Estudos mais recentes apontam que 4% da sociedade é psicopata [SILVA], mas quando se aprende a observar, percebe-se que existem muito mais psicopatas dos que aqueles mapeados pelos psicólogos. Existem pessoas más, que se fazem de vítimas, ou de santos, que usam de lisonja e adulação e, na maioria das vezes, mentiras enormes para conseguirem o que querem, indiferente de quem for usado, abusado, ou destruido no processo. Esse comportamento psicopático tem três termos, bastante difundidos na sociedade atual: Individualismo, Relativismo e Instrumentalismo que em si não são ruins, mas que deixam em aberto o caminho para os predadores em fazerem o que quiserem sob pretexto das bandeiras desses três termos.

    Quando uma situação ou história de alguém parecer demais para ser verdade, provavelmente é demais para ser verdade! Quando alguém começar a tentar incutir culpa nos outros ou a eximir-se de seus defeitos, culpando sempre algo ou alguém, é porque essa pessoa tem desvio de caráter. Ela está tentando manipular uma situação ou pessoa, para ganho pessoal.

    Portanto, nem todo mundo que é bom de ‘conversa’, que se expressa bem, que sabe convencer, o faz pelo bem alheio. Busque sempre questionar se a pessoa ou situação estão respeitando os seus direitos, principalmente os seus sentimentos. Muitos relacionamentos abusivos tem como seus algozes um psicopata ou individuo com desvio de caráter, de uma forma ou de outra.

  5. Não sinta pena de si mesmo(a)

    Ninguém gosta de ‘mi mi mi’

    Augusto Cury criou o termo ‘coitadismo’  [CURY] que vai além de alguém ser acomodado e desiludido com seus defeitos e imperfeições. O ‘Coitadismo’ está em promover, publicar e anunciar seus defeitos como justificativa para mediocridade e, pior ainda, promover a auto-indulgência moral.

    Um ‘coitadista’ pode alegar “Ah, eu nunca tive oportunidade na vida, então nunca serei capaz de entrar em uma boa universidade”. Uma afirmação de vitimista, e ao mesmo tempo, e justificativa em não fazer o mínimo esforço.

    O mundo não se importa com perdedores! E não são os perdedores que realmente nunca tiveram oportunidade na vida, são os perdedores que se rendem à mediocridade!

    Portanto, aceite suas dificuldades e medos, elas fazem parte da vida. Mas jamais se permita vencer por elas. Siga em frente, se esforce, fazendo seu melhor. O seu melhor já vai ser o seu melhor. Mas faça seu melhor!

  6. Saiba perdoar os outros e a si mesmo(a)

    Perdoar é se livrar de um fardo

    Interagir com os outros frequentemente resulta em situações de atrito, conflito, brigas, ou discussões. Isso é fato e não há como fugir disso. Sim, é possível se esconder em uma caverna para nunca ter que vivenciar nenhum desses momentos, mas tal exclusão deixaria sua vida completamente vazia e insípida.

    Uma das formas de evitar frustrações e sentimentos negativos é evitar fardar os outros com expectativas. É comum esperarmos algo quando temos um trabalho de escolha, faculdade, ou mesmo em uma equipe no emprego. Mas, em geral, quanto menos expectativas tivermos, mais surpresas agradáveis teremos em longo prazo, e menos desilusões.

    De qualquer forma, quando encontramos situações negativas, ofensivas, ou que magoem, é importante livrar-se do fardo da negatividade que esses sentimentos trazem. O fardo pode ser muito doloroso e insuportável. Perdoar não significa que a pessoa perdoada não terá que responder pelos seus delitos, mas significa que você não terá que viver mais na negatividade que esses delitos infligiram em sua vida. Você pode ser livre!

    Perdoar a si mesmo pode ser ainda mais difícil que perdoar os outros. E talvez requeira acompanhamento e terapia psicológica. E não é vergonha nenhuma falar de seus problemas. Talvez um amigo já seja de grande ajuda, talvez um psicólogo seja mais preparado para entender seus problemas, você quem decide. O importante é aceitar que precisa se perdoar. E para se perdoar, talvez seja preciso consertar alguns comportamentos, pedir perdão à algumas pessoas, e principalmente, falar a respeito deles, para que seu fardo possa se tornar mais leve.

    Não é fácil perdoar, mas o perdão é libertador. Portanto, faça do perdão um processo diário. Perdoe a si mesmo(a) e aos outros, sempre que possível, quantas vezes for necessário. Viva leve!

  7. Aprenda a dialogar com sua Criança exterior e seu Adulto interior

    Todo mundo tem seu lado mimado e exigente

    Susan Anderson, em seu livro The Journey from Abandonment to Healing: Turn the End of a Relationship into the Beginning of a New Life, explana as várias fases que a maioria das pessoas passam quando sofrem algum tipo de abandono. Esse abandono pode ser a morte de alguém querido ou mesmo a ruptura de relacionamentos, que podem ser percebidos como luto.

    Mas, a parte desse livro que quero mencionar é o diálogo que a Dra. Susan incentiva seus pacientes (e ela mesma pratica) a terem com sua ‘Criança Exterior’ e seu ‘Adulto Interior’ [ANDERSON]. Nesse diálogo, a criança exterior tem a tarefa de falar à vontade, tudo o que sente, suas frustrações, sua raiva, seus desejos, seja o que for que estiver sob a ‘pele’. Já o adulto interior tem a tarefa de acalmar, consolar, e controlar a criança exterior, não pela força, mas com amor, persuasão, compreensão e apoio.

    Esse diálogo ajuda muito à controlar o que o Scott M. Peck chama de ‘piloto automático’. [PECK] Quando a criança exterior sai do controle (em piloto automático) acabamos por reagir e deixamos nosso ‘cérebro’ para trás (paramos de raciocinar). Fazemos e dizemos coisas que nos arrependemos amargamente depois e causamos sérios danos à relacionamentos, empregos e oportunidades.

    Portanto, converse e seja sincero(a) com sua criança exterior, faça com que seu adulto interior aja como a pessoa madura que você deseja ser. Encontre equilíbrio entre esses dois personagens e sua vida será bem mais saudável.

  8. Religião deve abrir os olhos; existe um Criador

    Amar Deus e seu próximo

    Existe um criador, eu já tive muitas experiências disso. Experiências que considero sagradas e inapropriadas para serem faladas sem o devido ambiente (Mateus 7:6). Existe um propósito para esta vida, embora o plano individual seja personalizado.

    No entanto, o homem que ensina religião é falho e, em alguns casos, psicopata e desejoso de manipular os crentes para que lhe promovam seu sustento. Não existe líder religioso perfeito (exceto por Cristo, Alá, Buda, Krishna, ou qualquer nome que queira chamar deus). Existe beleza e verdade em tudo que é bom, que liberta o homem e o conduz ao amor à Deus (seja na forma que for) e seu próximo.

    Qualquer coisa que ensine fora disso está violando o princípio inerente da religião:

    re·li·gi·ão

    substantivo feminino
    1. Culto prestado à divindade.
    2. [Por extensão]  Doutrina ou crença religiosa.
    3. [Figurado]  O que é considerado como um dever sagrado.
    4. Reverência, respeito.
    5. Escrúpulo.
    6. Comunidade religiosa que segue a regra do seu fundador ou reformador.

    “religião”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/religi%C3%A3o [consultado em 19-04-2016].

    Se qualquer religião pregar a intolerância, ódio, acepção de pessoas, julgamento alheio, futrico, ou qualquer tipo de negatividade, essa religião não é boa.

    Portanto, estude tudo sobre tudo. Islamismo, espiritismo, espiritualismo, mormonismo. Mas lembre-se de sempre perguntar ao seu Criador o que é verdade e qual caminho seguir [Tiago 1:5]. Peça a Ele que abra seus olhos, para que você se torne melhor, e não pior. Eu já recebi minhas respostas sobre várias coisas, e é seu direito também receber suas respostas.

  9. Indiferente das suas escolhas, opiniões e ações. Eu o(a) amo

    Meu amor quer seu melhor

    Gostaria de estar presente em cada minuto de sua vida, segurando sua mão, dando-lhe apoio nos momentos difíceis e comemorando nos momentos de alegria. Eu amo você!

    Mas, seu cordão umbilical foi cortado no momento do parto, tanto um ato físico, quanto um simbolismo aos pais de que a criança tem sua própria vida, sua individualidade, sua personalidade e desejos.

    Indiferente das minhas fraquezas e defeitos como pai, desejo que você sempre se sinta seguro(a) em me enxergar como um verdadeiro amigo. Alguém que você possa confidenciar seus medos, suas frustrações, suas dúvidas. Quero ser sempre a pessoa em que você confia para esclarecer as perguntas que com certeza virão.

    Saiba que não importa se o que você sente ou pensa pareça incomum, ou vergonhoso. Eu estou aqui do seu lado, e sempre estarei do seu lado, até o dia em que talvez você não me queira mais do seu lado. Se esse dia chegar, com lágrimas o(a) deixarei ir, sabendo que fiz tudo possível para ser o pai que você merece. Mas, até lá, saiba somente que Eu o(a) amo!

  10. Valorize os momentos e pessoas que fazem parte da sua vida

    Porque até a uva passa

    Estou com trinta e cinco anos hoje, você está com oito. Nesta fase de sua vida tudo parece demorar. Considerando que quatro anos atrás foi metade de sua vida, fica mais fácil compreender sua impaciência!

    Mas lembre-se que a vida passa muito rápido! Em alguns anos você vai estar vivenciando mudanças hormonais que vão trazer pensamentos e opiniões diferentes, desafiadoras, empolgantes. Quando mal perceber estará tendo esta mesma conversa com seu filho(a).

    Portanto, cultive e valorize os momentos felizes e amizades verdadeiras. Parentes, amigos, mentores e professores morrem, deixando para trás somente lembranças. Você escolhe se essas lembranças serão positivas ou negativas. Deixe algumas coisas de lado se for preciso, mas produza lembranças maravilhosas para você para aqueles à sua volta.

    Lembranças não precisam ser extravagantes ou acompanhadas por fogos de artifício, mas podem ser simples, singelas, genuínas e sinceras. Um passeio ao pôr do sol, uma conversa sincera. Compartilhar sentimentos, assistir um filme juntos. Ler uma história em família, são tesouros inestimáveis. Valorize-os.

Família Feliz

Conclusão

Existem outras lições a serem aprendidas, mas estas em particular são preciosas aos meus olhos e desejo que sejam também para você. Se fosse possível, eu o(a) pouparia de qualquer sofrimento. Mas, como sei que isso é impossível e pouco recomendado, espero dar-lhe alguns ensinamentos que possam servir de fundação para uma vida plena, feliz e repleta de sucesso e doces lembranças. Com real intenção desejo o seu melhor!

 

Referencias:

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Perigosas – o Psicopata Mora ao Lado. Principium Editorial. Ano 2014. 232 p.

CURY, Augusto. O Código da Ingeligência. Editora Sextante / Gmt. Ano 2015. 256 p.

ANDERSON, Susan. The Journey from Abandonment to Healing: Turn the End of a Relationship into the Beginning of a New Life. Berkley; 1 edition. Ano 2000. 352 p.

PECK, Scott M. A trilha menos percorrida. Editora Nova Era. Segunda Edição, Ano 2006. 336 p.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *